Bovespa, bancos e financeiras usam desculpas esfarrapadas para ganhos financeiros, vendendo e comprando o que é nosso.

Se aparecer um candidato capaz de governar o país e mexer algumas regras para que o mercado não fique engessado até 2027, tudo vira pânico no mercado financeiro. Essa foi a desculpa do mercado para o pânico do dia 13 de maio, que atingiu os pequenos e médios investidores em ações ou dólar. Nunca afetou as corretoras, que ganham comissões nas compras e vendas, nem os grandes investidores, que são os patrões e donos do mercado financeiro.
O “Flávio Day 2.0” foi assim: durou 20 minutos no dia 13, o falso “dodói dos corretores” de um falso candidato que pudesse ser mais liberal — que liberasse tudo, até zero de imposto para empresários da direita e extrema-direita — e que, se dane as pessoas mais simples da sociedade. Com o escândalo de ontem, o candidato Flávio Bolsonaro, ou será substituído ou perder as eleições do final do ano, e os “ganhos safados” deles, da Faria Lima, serão um pouco menores no próximo governo. Neste momento, eles fingem esquecer que, em todos os governos, do socialista Lula na presidência, os bancos tiveram os maiores lucros de sua história. Também o agronegócio, nos governos Lula, recebeu os maiores investimentos do setor e contou com a ajuda do governo federal, impulsionando vendas (exportações) em todo o mundo. Este é o submundo do capitalismo selvagem, dentro da Bolsa de Valores, só vale a verdade ou mentira que der lucro.
E o mercado do dia 13, “Flávio Day 2.0”, foi:
Ibovespa caiu 1,80%, fechando em 177 mil pontos.
Dólar subiu 2,31%, atingindo R$ 5,0111.
O principal estopim da queda, na tarde de 13 de maio de 2026 — segundo os arautos da Faria Lima — foi o vazamento de um áudio que associava o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro (ex-banqueiro do Banco Master), gerando forte aversão ao risco político e fiscal.
O volume financeiro total negociado na Bolsa no pregão de 13 de maio de 2026 foi superior a R$ 66 bilhões. Esse forte fluxo movimentou a bolsa de valores brasileira em um dia de alta volatilidade, com 4.816.678 negócios fechados.
O escândalo “Flávio Day 2.0” trata de um valor pedido por Flávio Bolsonaro — e por ele confessado em vídeo — de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões), dos quais já recebeu R$ 62 milhões, ou R$ 75 milhões (o valor exato não é conhecido). Ele diz que esse dinheiro é para pagar os custos do filme sobre seu pai, o “imbrochável”.
Seria interessante saber se, no roteiro do filme, está previsto aquele episódio em que Jair Bolsonaro, andando de moto em Brasília, ao se deparar com quatro meninas venezuelanas com menos de 14 anos, “Criou um clima” ( palavras do Jair Bolsonaro) para uma situação que o levou a entrar na casa onde elas moravam. O Brasil gostaria de saber o que realmente aconteceu naquele dia, dentro daquela casa.
O filme, que na verdade é uma peça eleitoral para a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil, que seria lançado em agosto — período eleitoral —, poderia mostrar o “machão” operando como “improchável”. Certamente agradaria a cerca de 20 milhões de eleitores homofônicos, com desejos semelhantes. Sabendo que essas declarações atrapalhadas de Flávio podem prejudicar o sucesso do filme, o deputado e produtor do filme, Mario Frias, tentou salvar a situação, negando que o dinheiro enviado por Vorcaro fosse para pagar custos do filme “O Azarão”. No entanto, no dia seguinte, Mario Frias deu uma nova versão, afirmando que o dinheiro teria chegado até ele por meio do “Grupo Entre Investimentos”, que teria recebido o valor de Vorcaro.
Um dia depois (14 de maio), para tentar corrigir as mentiras que divulgou, Flávio Bolsonaro confessou, com outra versão, que o dinheiro pago por Vorcaro para o filme teria sido encaminhado ao fundo Havengate Development Fund LP, nos EUA, que estaria no nome do advogado advogado Paulo Calixto, que atende o irmão Eduardo Bolsonaro. Este advogado teria cuidado do processo migratório de Flávio para os EUA e da grana.
São mentiras atrás de mentiras, numa tentativa de jogar tudo dentro de uma nuvem espessa — uma nuvem de justiça, com policiais federais em busca de provas — que levará meses para concluir, com provas robustas, o que todos já sabemos: os Bolsonaros dividiram toda essa grana, numa verdadeira “rachadona familiar”.
Vamos considerar que esse valor de R$ 62 milhões tivessem sidos retirado de aplicações em ações — além da desculpa ridícula de que isso “mexerá nas regras do mercado financeiro em 2027, com um novo presidente” —, esse valor representaria apenas 0,01% (zero vírgula zero um) dos R$ 66 bilhões negociados neste um dia da Bolsa de Valores. Ou seja, os R$ 62 milhões já recebidos por Flávio, que segundo a PF, é de R$ 75 milhões, é uma pequena importância para intervir na baixa da Bolsa que movimentou R$.66 bilhões .
No entanto, o Ibovespa caiu 1,80% — ou seja, 180% mais do que essa variação de 0,01%.
Observe que 0,01% de um valor não pode causar uma queda de 180% nesse mesmo valor.
Sem um escândalo político, desastre ecológico, guerra, descrédito sobre o destino do país ou fraude financeira — ou caso do Banco Master —, os operadores da Bolsa de Valores, inventam qualquer motivo para uma queda.
Pode até ser um incidente gasoso (flatulência) soltado dentro do elevador da Bolsa, provocado por uma feijoada apimentada no almoço de um corretor.
A Bolsa opera como um elevador: precisa subir e descer para funcionar. Caso contrário, não leva ninguém a lugar algum, nem mesmo para contemplar o céu da cobertura do prédio da Bovespa. Aliás, um céu sem Paraíso.
Esta palavra “paraíso” nasceu no antigo Império Persa (atual Irã), onde “pairi” significava “ao redor” e “daēza”, “muro”. Era um refúgio de luxo, cercado por paredes, fontes e árvores frutíferas em meio à aridez. Um lugar sem liberdade, sob regras rígidas de adoração ao deus-rei, que sequer permite uma escapada ao Inferno nos finais de semana.
O nome do filme, que custa três vezes mais que “O Infiltrado”, é “Dark Horse” (que quer dizer “O Azarão”, originado do “cavalo preto” que surpreendia ao ganhar corridas na Inglaterra do século XIX), e trata da vida do miliciano, presidiário, covarde com filhos do mesmo naipe.
No entanto, “O Azarão” — no verdadeiro sentido do azar, chamado em português de “azarento” —, é alguém que vive cheio de azar, que nunca ganha. Estes seremos nós se aceitarmos novamente essa família nefasta governando o Brasil.
O sentido mais profundo desta reflexão é a desconstrução da hipocrisia social.
Mostrar, como já demonstraram nossos filósofos — especialmente sobre as religiões —, que a estabilidade de uma civilização muitas vezes depende de uma mentira na qual a maioria do povo acredita piamente, os intelectuais toleram em silêncio e os governantes manipulam nos bastidores para manter a ordem e o poder.
E eles revelam o “modus operandi” das fraudes de pai para filhos, de Jair Bolsonaro para seus quatro filhos (Flávio, Eduardo, Carlos e Renan). Outro exemplo disto é o caso do pai do Tenente-Coronel Mauro Cid (que é o general de exército da reserva Mauro Cesar Lourenço Cid), que vendeu joias roubadas para lavar dinheiro nos EUA, ajudando seu filho Mauro Cid a receber milhões e repassar recursos ao ex-presidente Bolsonaro.
Também o caso do pai de Daniel Vorcaro (Henrique Moura Vorcaro), preso em 14.05.2026, na nova fase da Operação Compliance Zero, por envolvimento com atividades ilícitas relacionadas ao seu filho Vorcaro.
Tal pai tal filho, uma vez que: a influência da criação e da genética é inevitável, assim este assunto “Flavio Day 2.0”, ainda renderá muitas manchetes de jornais
Por Guilhobel A. Camargo — Gazeta de Novo


