Crescimento do extremismo político no Brasil e no mundo?

Os extremistas travam as rodas da evolução do país.

Nos últimos anos, temos sido testemunhas de um alarmante crescimento do extremismo político, tanto no Brasil quanto em todo o mundo. Posicionamentos apaixonados e incoerentes se entrelaçam com discursos inflamados e violentos, carregados de reações extremas e radicais.
Aqueles que se identificam com essas abordagens muitas vezes não apenas propõem soluções simplistas para problemas complexos, mas também recusam qualquer forma de debate contraditório. Infelizmente, essa tendência não é exclusiva de uma única nação e já foi observada em diversos momentos históricos da humanidade.

Uma das causas do crescimento desses grupos radicais é frequentemente atribuída à profunda crise de representação política, que atingiu seu ápice nos últimos anos. O extremismo político não é estritamente vinculado a uma ideologia particular; ele pode surgir tanto na direita quanto na esquerda. O filósofo político e historiador italiano, Norberto Bobbio, em seu livro “Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política,” argumenta que as ideologias opostas encontram pontos de convergência em suas alas radicais, pois esses movimentos compartilham mais do que a simples oposição às alas moderadas.
Bobbio afirma que “os extremos se tocam,” ressaltando as semelhanças entre os extremistas de ambas as extremidades do espectro político.

O problema surge quando esses grupos radicais não se limitam ao debate de ideias, mas adotam posturas violentas em plataformas digitais e até mesmo nas ruas, recorrendo ao terror contra aqueles que discordam de suas crenças. O discurso de ódio propagado por esses grupos é profundamente prejudicial à construção de uma sociedade democrática, já que, na realidade, os radicais de direita e de esquerda compartilham uma aversão à democracia. As ideologias extremistas, seja à esquerda (comunismo) ou à direita (fascismo), têm sido responsáveis por grande parte das tragédias humanas dos últimos séculos.

A divisão do espectro político em direita e esquerda é uma prática comum há mais de dois séculos e é fundamental para a democracia. No entanto, ao contrário das alas moderadas, que debatem posições opostas de maneira equilibrada, os extremistas costumam pré-julgar e depreciar seus oponentes. Uma democracia madura deve ser capaz de acomodar diversas correntes ideológicas, pois é essa diversidade que enriquece o debate público e político. Opiniões divergentes não devem ser tratadas como inimigas, mas sim como elementos essenciais para um diálogo construtivo e uma discussão política equilibrada.

Ignorar opiniões contrárias pode levar perigosamente ao fanatismo político, onde indivíduos se apegam cegamente a uma única posição ou sistema político. Ao invés de desafiar e desconstruir os argumentos do “inimigo,” nossa sociedade deveria se esforçar para debater de maneira civilizada como construir uma nação mais justa, democrática e desenvolvida. Os políticos eleitos para as casas legislativas e executivas não deveriam utilizar essas posições para fomentar guerras ideológicas, mas sim para dialogar sobre o futuro do nosso país.

Nós, como sociedade, devemos praticar a autocrítica e entender que seguir a multidão nem sempre é a melhor maneira de construir uma democracia saudável. Como o pensador francês Gustave le Bon destacou em sua obra “Psicologia das Multidões,” na mentalidade coletiva, as aptidões intelectuais dos indivíduos e, consequentemente, suas personalidades, podem enfraquecer. Portanto, é essencial que todos nós reflitamos sobre como lidar com o extremismo político e como podemos preservar os valores democráticos em nosso país e no mundo.

É importante notar que no Brasil, pesquisas recentes mostraram que 30% dos eleitores ou estão na extrema direita ou na extrema esquerda, o que demonstra a amplitude deste fenômeno no cenário político nacional. Como sociedade, é fundamental enfrentar esse desafio e buscar um equilíbrio que permita o progresso e a evolução, em vez de permitir que as rodas da democracia sejam travadas pelo extremismo.

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4 respostas

  1. Sem a menor dúvida o equilíbrio entre esquerda e direita é essencial para governança de um Estado. O extremismo político e religioso acabam sempre em sofrimento para o povo. Excelente artigo!!!

  2. É isso.. os extremos é sempte mais do mesmo ..é o contraponto da balança desigual, é preciso ter escuta, ter compaixão por quem esta cansado de lutar por uma vida melhor enquanto outros se endeusam por ser oportunistas e roubar do que deveria ser para beneficio publico… ceder, acolher, o caminho do meio é sempre o mais equilibrado.Não é facil conseguir isso mas esta mais do que na hora de ser praticado. Chega da ganancia corrpção poder…

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