Próximo a encerrar a guerra contra o Irã, Trump pode voltar sua atenção para o Brasil

Isto pode ocorrer: faz parte das loucuras de Trump, que acredita ser um Deus.

Com a guerra contra o Irã próxima de terminar, o dano à reputação dos Estados Unidos já está feito.
As seguidas abordagens de Trump, ao poder e soberania de outros países, conduzem a um fim o papel dos Estados Unidos como líder de um mundo livre. Trump não tem mais nada a perder e arriscaria buscar prestígio no mundo europeu — que se incomoda com o agronegócio do Brasil — ainda mais agora, com a assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul entrando em vigor.
As guerras não são uma escolha única da cabeça de Trump; elas são uma somatória de interesses de empresários que têm negócios baseados dentro do território dos EUA. São as fábricas de armas — “que precisam de guerras” —, as grandes irmãs americanas que vendem os produtos do petróleo, o agronegócio, bancos, cartões de crédito e as gigantes do mundo virtual (ciberespaço).
A era dos Estados-nação acabou; não há mais fronteiras, com a IA — Inteligência Artificial — usada por todos.
Hoje, o mundo inteiro está focado em reabrir o Estreito de Ormuz, que estava aberto quando a guerra começou.
Um problema que os americanos, comandados por Trump, criaram e que coloca um caos no comércio em geral.
Assim, os EUA estão deixando de ser o líder do mundo livre.
Estamos assistindo a uma superpotência americana descuidada, que desfila mal pelo tabuleiro de xadrez mundial, ameaçando antigos aliados e fortalecendo antigos rivais, buscando ganhos financeiros de curto prazo e ficando alheia aos perigos que cria para si mesma e para o mundo.
Por um acidente do destino, caiu para Trump um primeiro mandato, mas, ao darem a ele um segundo mandato com “otimismo tóxico”, o povo ianque está sofrendo, com inflação, alta de juros, aumento do custo dos alimentos, perda de empregos e futuro incerto.
Com as tratativas — os EUA e Irã se aproximando de um fim pacífico — Trump terá que mirar um novo foco, que pode ser o Brasil.
Por que, seria o Brasil?
Os EUA precisam URGENTEMENTE do Brasil, além dos casos costumeiros, dos três itens que seguem:
Minerais das terras raras brasileiras, para quebrarem a dependência que têm da China;
Suprimir ou enfraquecer o PIX para atender aos interesses de empresas (cartões de crédito e bancos dos EUA);
Evitar a criação da moeda do BRINCs, na qual a ex-presidente Dilma Rousseff é presidente do Banco dos BRINCs.
Para resolver essas necessidades, os EUA têm pouquíssimas chances com o governo Lula, que talvez acabe ou taxe o PIX; que não entregará de graça os minerais das terras raras e também não evitará a moeda do BRINCs, mas sim dará incentivos para que ela aconteça.
Coisa que, com o Flávio Bolsonaro como presidente do Brasil, os EUA receberão, mesmo porque tem apoio de Trump, e, em março, Flávio e Eduardo Bolsonaro fizeram reuniões com políticos nos EUA em troca de apoio. Em conexão com deputados da USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), concordaram em classificar o PIX como uma barreira comercial que prejudica provedores de serviços financeiros americanos no Brasil.
O deputado federal Lindbergh Farias afirmou que Flávio enviou documentos sigilosos de inteligência do Rio de Janeiro para o senador americano Marco Rubio e para a Casa Branca. Eduardo Bolsonaro também tem atuado intensamente no Congresso dos EUA, buscando apoio contra instituições brasileiras.
Para completar, enfraquecem a soberania brasileira, porque também, em março de 2026, durante a CPAC, no Texas, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil é a “solução” para os EUA quebrarem a dependência da China em relação a minerais críticos, oferecendo o acesso às terras raras brasileiras.
E foi após essas interações dos Bolsonaros que o relatório “National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers”, publicado pelo USTR, dedica cerca de oito a nove páginas críticas ao Brasil, alegando que o sistema PIX prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito e bancos. O relatório argumenta que a gestão do PIX pelo Banco Central cria uma desvantagem competitiva para provedores privados dos EUA.
Sem os Bolsonaros entregando o Brasil de bandeja para os EUA, só restará a Trump ameaçar guerra contra o Brasil, enviando força naval, como fez com a Venezuela, hoje faz nas aguas do Mar Mediterrâneo, Golfo de Omã, no Mar Arábico e com incursões no Golfo Pérsico, ou repetir o que fizeram em 1964 com a “Operação Brother Sam”.

A Operação Brother Sam foi um plano de contingência militar dos Estados Unidos, autorizado pelo presidente Lyndon B. Johnson em fevereiro/abril de 1964, para garantir o sucesso do golpe de Estado que derrubou o presidente João Goulart.
O principal componente naval dessa força-tarefa foi o USS Forrestal, um superporta-aviões da Marinha norte-americana. A esquadra tinha como missão “mostrar a bandeira” (ostentação de força) e fornecer suporte logístico e bélico aos conspiradores brasileiros, caso houvesse resistência armada ao golpe militar que jogou o Brasil nos 21 anos de ditadura. O porta-aviões USS Forrestal ficaria estacionado em águas do Porto de Santos (SP). Como o golpe ocorreu rapidamente e quase sem resistência, os líderes militares brasileiros informaram aos EUA que o apoio não seria necessário. A ordem de deslocamento foi cancelada enquanto a frota ainda estava no meio do caminho, e os navios receberam ordem de dar meia-volta e retornar aos Estados Unidos em 3 de abril de 1964.
Ontem, 14 de abril, Trump atacou o Papa Leão XIV, escrevendo:
“O Papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa”.

Quando é um maluco, ao ponto de atacar o Papa Leão XIV, que nasceu nos EUA, o que fará em ameaças ao Brasil?

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

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