Para onde caminhamos com a teologia do domínio pentecostal

A “TEOLOGIA DO DOMÍNIO” está carregada de extremistas da direita.

Na “Teologia do Domínio”, onde os guias têm poder financeiro e religioso – sendo da extrema direita no mundo – levam os seus seguidores para um mundo religioso, que não combina com sua situação financeira e os princípios de empatia.

Fazem de Deus a entidade que concede à humanidade o “domínio” sobre a Terra, com o seu “dominionismo”, buscando submeter os entes públicos e a sociedade ao domínio religioso. Plantando agentes públicos evangélicos no poder judiciário, no poder executivo, e mesmo sendo estado laico numerosa bancada evangélica tem forte peso político.

É um descompasso das normas constitucionais, onde estes novos parlamentares – não só aqui no Brasil, mas no mundo – são seguidores agora voltados para o Velho Testamento. Contrariando as bases do estado laico, levam a religião para aprovarem leis em benefício de suas crenças e domínios.

Estamos observando que estes evangélicos migram do “Novo Testamento de Cristo” para o Velho Testamento que é a base do Torá. E neste retroceder, ao “Velho Testamento” não é Moisés que eles seguem, nem Jó, nem José, muito menos Salomão eles seguem David.
Seguem o David das armas – veja Bolsonaro, Netanyahu, Trump. O Davi, que se encanta pela mulher de Urias e manda Urias, para ser morto em guerra para tomar a sua esposa Bate-Seba, conforme o que nós diz a própria Bíblia.

Junto às questões bélicas levam a seus seguidores para uma máxima que a “pobreza é algo natural,” pois apenas Deus escolhe quem deseja enriquecer! O grau de aplicação destes seguidores da TEOLOGIA DO DOMÍNIO é tamanho, dentro da extrema direita religiosa que eles têm adquirido o comando da autoridade administrativa até em países laicos.

É a Teonomia – de theos (Deus) e nomos (lei) – que é uma forma de governo onde a sociedade é governada pela “lei divina”, com um tipo de teocracia cristã onde incluem o Antigo Testamento que consideram ser um guia a ser cumprido pelas sociedades modernas. Advogam um reconstrutivismo cristão através do sistema político. Sendo este reconstrucionismo um movimento fundamentalista reformista teonômico, que chegou no mundo moderno sob as ideias de Rushdoony, Bahnsen e Gary North, hoje de grande influência no direito cristão protestante dos Estados Unidos.

O que acabo de expor no parágrafo anterior, se confunde e se entranha com o integralismo católico, que é também mais antigo e teologicamente distinto do dominionismo defendido pelos protestantes. Chegaram a firmar uma aliança ecumênica – que não é tradicional – com os reconstrucionistas protestantes, que compartilham do mesmo desejo de influência religiosa na esfera política nos estados, mesmo que laicos, sob o domínio da extrema direita, das armas de fogo assassinas e de absurdos que estamos acompanhando no dia a dia do mundo.

Como não bastasse o “integralismo católico” se somar aos “reconstrucionistas protestantes” – que demonstrei nos dois últimos parágrafos – vem junto, mais uma vez pelas mãos da extrema direita a Teologia pentecostal “Kingdom Now”. Que é o ramo da teologia do domínio com seguidores do pentecostalismo que foi despertado nos anos de 1980. Uma teologia que Satanás está no controle do mundo e Deus está procurando pessoas – usando mais uma vez aqui, também no Kingdom Now a extrema direita – para assumirem os reinos do mundo (comando dos países) como que também todas as instituições, mesmo que em países laicos.

E aqui chegam com um mandato que propõe que existem sete “montes” que os cristãos devem controlar para estabelecer de forma global – religião e estado – para preparar o mundo dentro da TEOLOGIA DO DOMÍNIO.

Mas pera aí, meu caro leitor, que chegou o até aqui desta opinião, que não é só minha, mas também de outros pesquisadores sobre a TEOLOGIA DO DOMÍNIO, tenho que falar agora especificamente sobre a direita cristã.

Esta DIREITA CRISTÃ, que veio também, a partir dos anos 80, com a visão da socióloga Sara Diamond para o domínio do mundo pela direita cristã. Como já citei anteriormente os impactos do que ensinaram – para a extrema direita mundial Rushdoony e North – aqui Sara Diamond traz o conceito de que os cristãos são biblicamente obrigados a ‘ocupar’ todas as instituições seculares, tornou-se a ideologia central unificadora para a direita cristã, originariamente nos Estados Unidos.

O jornalista Frederick Clarkson definiu o dominionismo como um movimento que inclui a teologia do domínio e o reconstrucionismo como subconjuntos e em seus estudos a partir de 1992, escreveu:

“No contexto dos esforços evangélicos estadunidenses para penetrar e transformar a vida pública, a marca distintiva de um dominionista é o compromisso de definir e levar a cabo uma abordagem para a construção de uma sociedade que seja conscientemente definida como exclusivamente cristã e dependente especificamente do trabalho de cristãos, em vez de se basear num consenso mais amplo.”

Enfim, agora aqui vai a TEOLOGIA DO DOMÍNIO NO BRASIL, com a mentalidade de cerco, na qual “os Bolsonaristas da extrema direita, somados dentro de um “virado ´paulista e um virado carioca” de Malafaias e milicianos, mais 99% da bancada evangélica no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais que dizem:

“…nós precisamos nos proteger contra eles…”.

No Brasil, esta teologia refere-se à aplicação e difusão de doutrinas reconstrucionistas oriundas dos Estados Unidos, com grande impacto na sociedade local. Essa começou a partir da década de 70 com o neopentecostalismo, somando a novas culturas: como a teologia da prosperidade, batalha espiritual e a TEOLOGIA DO DOMÍNIO.

A Igreja Universal do reino de Deus soube fazer “bom uso” desta nova ferramenta, quando em 2008 o bispo Edir Macedo publicou o seu livro “Plano de Poder”, onde escreveu: “Deus como um estadista e Adão e Eva como representantes de um estado de selvajaria, do qual os cristãos deveriam se libertar através do ‘amadurecimento individual, o inconformismo com certas situações, o consenso em um ideal e a mobilização geral’ “.

Outras igrejas vieram no mesmo tom acabando por elegerem bancadas evangélicas que, ano a ano, vêm crescendo, com o uso massacrante em rádios e TVs e se beneficiando por não pagarem impostos. Usam o estado laico, com a força e privilégio de suas bancadas para negociar leis até que junto com os militares, e a extrema direita empresarial e milicianos conseguindo trazer para o poder o “Messias” Jair Messias Bolsonaro.

Bolsonaro dentro de sua casa influenciado por sua esposa Michelle, evangélica de carteirinha, somando a força de Damares Alves, então assessora jurídica da “Frente Parlamentar Evangélica”, começaram um trabalho que obteve sucesso.

Ele consistia em:

divulgação em igrejas contra supostos projetos de educação sexual atribuindo ao PT e também a favor da educação familiar com a escola sem partido mas dentro dos princípios evangélicos fazendo sua política de estado através de suas bancadas evangélicas. Mais do que ninguém, foi a Damares a pessoa que aproximou Bolsonaro da bancada evangélica. Essa aproximação foi responsável pela expressiva votação que Bolsonaro recebeu para Deputado Federal em 2014. Com apoio dos evangélicos, Bolsonaro passou pela primeira vez na sua vida, à defender pautas morais para ser eleito em 2018 presidente do Brasil.

Com essa pauta que falsamente levantava bandeiras, que ele nunca levantou, sequestrou o resto da direita brasileira que não se deram conta, até hoje, de sua hipocrisia e oportunismo. Ele acabou até plantando dois ministros evangélicos no STF, em ministérios do poder executivo e na cúpula de grandes instituições brasileiras.

No plano internacional, Bolsonaro somou energias com Donald, também eleito com apoio da direita cristã nos EUA. Em 2019, Bolsonaro participa de um grande encontro no “Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil”, lá cria laços com o pastor John Hagee fundador do lobby “Christian United for Israel. Este pastor Hagee, um lobista de Netanyahu foi um dos braços do embaixador Zonshine, de Israel no Brasil por três anos, o escolhido para o cargo como sucessor de Yossi Shelly, ainda durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, o embaixador de Israel, acumulou atritos com o governo Lula. Em novembro de 2022, Zonshine participou de uma reunião no Congresso Nacional com Jair Bolsonaro e um grupo de parlamentares da oposição ao governo atual. Por isso, dirigentes petistas criticam uma suposta aproximação do embaixador com o ex-presidente.

É tamanha a paranoia político religiosa desta TEOLOGIA DO DOMÍNIO, que levou Trump, um católico, em 2017 reconhecer Jerusalém como capital de Israel e mandou transferir para lá a embaixada americana que estava instalada em Tel Aviv.

Bolsonaro também comunicou em 2018, depois em 2019 e 2020, que levaria para Jerusalém acompanhando Trump e os interesses dos bispos evangélicos do Brasil, no entanto ele não teve sucesso e embaixada do Brasil, em Israel, continua baseada em Tel Aviv. Parece quer o Itamaraty criou embaraços, não permitindo, esse “beijo a bandeira dos EUA e também na de Israel.

Por outro lado, estes fatos das embaixadas, trazem até nós o conhecimento da força, dos líderes do povo judeu, ajudar carregar os cristãos para o “coração do Velho Testamento,” onde existe princípios da base do judaísmo. A Torá, livro do judaísmo, que contém as escrituras religiosas judaicas, nada mais é do que o Pentateuco, na Bíblia, este termo costuma ser traduzido como “Lei” ou “Lei de Moisés”. Contém os 5 primeiros livros da Bíblia.

O “Antigo” ou “Velho” Testamento contém a Torá bem como os livros históricos, sapienciais e os testemunhos escritos dos profetas. Que é o caminho trilhado por todos da TEOLOGIA DO DOMÍNIO, para passando por Moisés chegar ao Davi, o bélico das guerras, com mortes e pecados capitais, onde o genocídio faz parte do andar de suas carruagens.

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

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Uma resposta

  1. Infelizmente esse domínio, que também apareceu de forma mais camuflada em 64 e que a esquerda da época denominou de ópio do povo, volta agora com força total através do povo evangélico manipulado por pastores que são lobos em forma de cordeiros. O Papa está tentando mostrar isso ao povo católico e vem enfretado ataque dessa corja, sendo taxado de comunista… usam o comunismo para apavorar um povo que nem sabem o que realmente essa palavra quer dizer…

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