O Estado, ao errar na contenção de pequenos roubos e furtos, também cria o ladrão e o pequeno traficante de drogas.

Não é a Ocasião que Faz o Ladrão: “A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito” (Machado de Assis).

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E nasce feito, não por culpa da criança ou dos pais, que geralmente são pobres. Eles são feitos pelas políticas erradas dos governantes. Este erro não está apenas na polícia; ele está mais forte no gerenciamento do próprio Estado.

O objetivo do Estado é construir uma sociedade livre, justa e solidária. Erradicar a pobreza, a marginalização, reduzir desigualdades sociais. Promover o bem, sem qualquer preconceito e discriminação, seja de sexo, cor, raça ou idade. E onde existir discrepância econômica, o Estado deve ter políticas públicas para reduzir as desigualdades e atender às famílias, para que os menores de idade não encontrem nos pequenos crimes a forma de enfrentar a fome e suas demais necessidades.

Assim como no jogo de xadrez, os peões são a alma do jogo — na vida, as crianças são como os peões — que devem ser orientados pelo Rei, Dama, Bispos, Cavalos e Torres, que são os mais fortes dentro do tabuleiro (Estado). Todos unidos, protegem o Rei — seja ele branco ou preto —, e o Rei tem seus protetores para proteger todos e todos ganharem o jogo da vida. Até os pequenos peões, se bem jogados (bem orientados), quando chegam na casa oito, serão promovidos a Dama, Bispo, Torres, que seria na vida real as crianças atingirem o seu lugar ao sol. Não estou falando em monarquia ou ditadura, pois muitas vezes o Rei — não faz nenhum movimento ou só faz o roque — nem é ameaçado, e são as demais peças que ganham a partida.

Ontem, no programa “Quem Quer Ser Um Milionário?”, conhecemos um caso raro no Brasil de alguém, uma mulher que também foi discriminada, diante deste estado que atende de forma precária e errada os menos favorecidos, ser a vitoriosa. O estado deve dar o peixe aos famintos, nas mesmas proporções que ensina a pescar. Cito este caso, de Jullie Dutra, para demonstrar o valor do conhecimento na vida das pessoas. Como um pequeno peão do xadrez, que é menor no tabuleiro da vida, ela, pobre na infância, órfã desde muito cedo, criada dentro de uma família humilde, teve a vitória ganhando o um milhão, mesmo sem a ajuda do estado. Um exemplo de determinação diante de tantas adversidades.

Ao citar este exemplo, não demonstro que qualquer um pode chegar onde quiser, demonstro que ele é tão raro que a verdade está demonstrada na maioria de presos, nas cadeias e presídios (mais de 800.000 mil) do Brasil.

Na maioria, jovens que o sistema permitiu que fossem buscar no crime as oportunidades que não tinham na vida. Roubaram uma bicicleta que desejavam, roubaram um celular que desejavam, um tênis, uma correntinha. Venderam e roubaram outra vez, e neste caminho começaram a usar drogas. Para pagar as drogas, viraram pequenos traficantes, e uma cadeia de delitos se formou até que uma cadeia os capturou.

Lotando as cadeias e tirando policiais das ruas para trabalhar dentro deste sistema de controle de presos das cadeias.

A polícia em todos os níveis, que deve ser a guardiã da sociedade e da cidadania, que deve investigar, proteger o bem, combater o mal, gerenciar crises, que deve dirimir conflitos, evitar o crime, trazer a paz nas cidades, regular as relações sociais e aconselhar a população, o que ela faz?

Deixo a pergunta no ar…

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

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3 respostas

  1. O assunto desse artigo, faz parte do meu trabalho de uma vida inteira e, graças a Deus, continua a fazer, agora como voluntária. Meu grande amigo, durante mais de 20 anos em salas de aulas, entre a elite e a classe social mais carente possível. Algum tempo na direção do escritório regional de assistência social, representando a secretaria do trabalho emprego e assistência social do governo do Paraná, aonde entendi a necessidade de, antes de ensinar a pescar, o homem precisa ter o peixe pra se alimentar, caso contrário forma -se o hábito de pescar apenas para comer. Para fechar essa minha caminhada profissional, que foi de intenso trabalho com muitas vitórias, porém com muitos e infelizes fracassos… eles nos machucam muito… passei os ultimos 15 anos, até me aposentar, trabalhando na socioeducaçāo! Num chamado Centro de Socioeducaçāo!!! Atendendo mais de 100 adolescentes internados, por cometerem atos infracionais dos mais leves, pequenos furtos, pequenas doses de drogas, até crimes hediondos! Todos juntos e misturados. Assim a imaginação não precisa voar muito longe pra saber as consequências dessa mistura. Eles vêm de famílias miseráveis e sem nenhuma estrutura de educar filhos… não vou me alongar que precisa um livro pra contar tudo que vivi junto à essas crianças jogadas no mundo…

  2. Parabéns pela sua história de vida professora Vera Lucia kanawate. O estado deve ser a ponte para os mais pobres terem acesso à cultura, saúde, segurança, infraestrutura e o bem estar. Sem manter esta ponte ativa não há razão para a existência do estado. (Guilhobel)

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