“Eternizar” o domínio do Tio Sam no mundo, com mais facilidade na América Latina

Tenho 79 anos de vida e, ao longo desse tempo, pude observar e refletir sobre os movimentos e estratégias que moldaram o cenário global. Acredito que a história nos mostra que o poder concentrado, quando exercido de forma unilateral e sem respeito às diferenças, tende a gerar conflitos e duras consequências para todos. Como dizia Albert Einstein, “O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os assistem sem fazer nada”. Essa minha experiência me leva a enxergar com preocupação a atual postura de Marco Rubio, que parece atuar como um verdadeiro maestro de uma orquestra sinistra, buscando eternizar a influência do Tio Sam ao redor do mundo, especialmente na América Latina.
Marco Rubio ocupa o cargo de Secretário de Estado dos Estados Unidos, uma nomeação confirmada de forma unânime pelo Senado. Como chefe do Departamento de Estado, atua como o principal diplomata do país, conduzindo a política externa norte-americana e liderando as relações com governos estrangeiros e organismos internacionais. Além disso, acumula uma dupla função estratégica na gestão de segurança nacional, sendo também o Conselheiro de Segurança Nacional Interino desde maio de 2025. Trump o nomeou também para liderar interinamente o Conselho de Segurança da Casa Branca. Essa acumulação de funções coloca Rubio em uma posição de influência geopolítica central, algo que não ocorria na política interna americana desde a década de 1970, quando Henry Kissinger exercia papel semelhante nos governos de Nixon e Ford. Rubio é, portanto, o segundo na história dos EUA a acumular esses cargos de forma tão significativa.
Esse poder, no entanto, é ampliado pelo fato de Rubio ter presidido o importante Comitê Seletivo do Senado sobre Inteligência. Como ex-senador pelo estado da Flórida, assumiu a liderança interina do órgão em maio de 2020, atuando como principal republicano na comissão. O comitê tem como função supervisionar o aparato de inteligência dos EUA, garantindo que as agências operem dentro da legalidade e com financiamento adequado. Sua atuação inclui controle orçamentário, poder de intimação, acesso a segredos de Estado, aprovação de indicações para chefias de agências como a CIA e o FBI, além de conduzir investigações de grande escala sobre falhas de segurança ou interferências externas, como a revelada na interferência russa nas eleições americanas.
Como um dos principais arquitetos da política externa dos EUA para a América Latina, Rubio exerceu forte influência na região, tanto no legislativo quanto no executivo. Sua atuação contra governos de esquerda é marcada por ações contundentes, especialmente em casos como:
- Venezuela: Liderou a estratégia de pressão máxima durante o primeiro mandato de Trump, impulsionando reconhecimento de governos paralelos, sanções econômicas severas e controlando as receitas do petróleo venezuelano, que passam pelo Tesouro americano sob o seu controle. Rubio atua quase como um “administrador” da Venezuela, tutelando decisões e nomeações de agentes públicos, mantendo canais de comunicação diretos com integrantes do governo de Nicolás Maduro, como a presidente interina Delcy Rodríguez, supervisionando suas ações e demissões.
- Cuba e Nicarágua: Aplicou sanções financeiras e restrições de viagem contra os governos desses países, utilizando relatórios de inteligência para denunciar violações de direitos humanos e reprimir financeiramente os regimes de Havana e Managua.
- México e Narcotráfico: Defendeu o uso de forças militares americanas contra cartéis de drogas, pressionando as autoridades mexicanas a adotar posturas mais duras.
No cenário recente, a atuação de Rubio como Secretário de Estado gerou atritos diplomáticos com o Brasil, especialmente devido à imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida decorre de investigações comerciais relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamento eletrônico (nosso PIX), tarifas injustas, questões de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Rubio declarou publicamente que o Brasil, sob Lula, “não negociou de boa fé” com os EUA, acusando o presidente de priorizar seu ego em detrimento dos interesses econômicos do país. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil rebateu, afirmando que as palavras de Rubio são “inaceitáveis e ofensivas” e que o Brasil busca defender sua soberania, tendo realizado várias reuniões com autoridades americanas sem sucesso em uma proposta de diálogo.
Nesta madrugada de 24 de julho, Rubio informou que estava aumentado em 12,5% as tarifas por conta de trabalho escravo em mais de 70 países, incluindo o Brasil, que então passaria a ter uma tarifa de 37,5%. Essa afirmação, no entanto, é uma mentira, pois o Brasil é um dos principais países do mundo a combater o trabalho escravo, sendo reconhecido por várias organizações internacionais por seus esforços na erradicação dessa prática.
Essa postura protecionista dos EUA, por sua vez, tende a gerar consequências graves a longo prazo. O isolamento comercial, o redesenho de rotas de exportação pelos países parceiros e a formação de blocos econômicos exclusivos podem comprometer a venda de produtos americanos, reduzir receitas e pressionar a inflação interna. Além disso, esse protecionismo alimenta movimentos de desdolarização, com governos buscando alternativas às moedas de reserva tradicionais, enfraquecendo a hegemonia financeira dos EUA.
Analistas alertam que esses efeitos podem causar um retrocesso econômico de décadas, exigindo esforço e tempo para sua recuperação, ameaçando a credibilidade e o poder de barganha do país no cenário mundial.
Como uma reflexão final, lembro uma frase de René Descartes: “A vida é uma sucessão de lições que devem ser vividas para serem entendidas”. Nosso papel, enquanto cidadãos conscientes, é acompanhar esses movimentos e buscar um entendimento profundo, para que nossas ações contribuam para um mundo mais justo e equilibrado.
Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo



Uma resposta
Informações importantes que nos traz esse texto jornalístico!!!!