Herzog e Jorge “foram suicidados”, não eram suicidas

Foto: Reprodução/Polícia Civil-RJ

Os dois únicos no mundo, que embora estivessem presos, Herzog usando uma tirinha de pano e o Jorge mesmo vestido com “calça comprida”, teria usado “camiseta de manga curta” como corda de forca!

Mesmo hoje em 2024, posso dizer que aquele que conseguir fazer dois nós com uma “camiseta de manga curta”, – sendo um para amarrar na grade da janela da cadeia e com o pouco que sobrar da camiseta, fazer o outro nó de forca, – para usar no pescoço, deve ganhar um prêmio mundial de habilidade manual com panos curtos.

Escrevo esta história porque no próximo dia 3 de abril, quarta feira, Clarice Herzog irá ouvir no Congresso Nacional o pedido de desculpa do Estado Brasileiro por “ter suicidado” o seu marido, o jornalista, dramaturgo, secretário de cultura do estado de São Paulo, professor da USP, Vladimir Herzog.

Em outubro deste ano terão passado 50 anos, do dia 25 de outubro de 1975, quando dentro do DOI-Codi, de São Paulo, os torturadores do Exército Nacional, que sempre foram tornados grandiosos por Bolsonaro, suicidaram Vladimir.

Em 1978, o legista Harry Shibata confirmou ter assinado o laudo necroscópico, de Herzog, sem examinar ou sequer ver o corpo. O atestado de óbito corrigido, só foi entregue à família 15 anos depois, onde foi retirada a causa morte por asfixia, para tortura e maus tratos na prisão.

Esta homenagem que receberá a viúva de Herzog, que será notícia dos jornais nesta semana que entramos, me fez lembrar do caso do traficante Jorge Luís dos Santos.

Jorge, traficante de drogas, foi acusado de ter roubado a moto Honda Sahara 350 e a pistola Glock 380 do capitão Bolsonaro que na época era deputado federal.

Ele apareceu enforcado, na manhã seguinte, no ano de 1995, depois de Bolsonaro ter ido na delegacia para reconhecer o “possível ladrão”, de sua moto, que é um procedimento padrão da polícia.

Parece que ao perguntarem para Jorge de “forma bem delicada”, – sem presença de um advogado, – “se ele sabia quem eram os dois ladrões…”, Jorge entrou em depressão e, ao amanhecer daquele mesmo dia, se foi para o além, “suicidado”.

Quinze dias depois, a viúva de Jorge com sua mãe, a sogra, que cobravam via imprensa e da polícia, – a verdade sobre a morte do marido e genro, – as duas apareceram mortas a tiros, na Via Presidente Dutra próximo à chegada da rodovia no Rio de Janeiro.

Imaginem um cara que não roubou e mesmo que tivesse roubado, entra em depressão, porque era só traficante e nunca foi ladrão e se suicida!

E a esposa e sogra são mortas a tiros, tudo por conta de uma moto e um revólver que nunca encostaram a mão.

Isso tudo – sobre as mortes de Jorge, sua esposa, sua sogra – antes da morte de Marielle e Anderson, de Adriano da Nobrega, de Macalé, de Helio de Paula, o Senhor das Armas, do ex-ministro Bebianno e 700.000 brasileiros de Covid-19.

Que triste foi a sina dessas pessoas, de andarem no mesmo caminho que andava este Mito! Bolsonaro veio de uma região do interior onde falam: hoter, paster, Miguer e parMito que é a origem de ser chamado por Mito.

O traficante Jorge Luís dos Santos que era o chefe traficante na comunidade de Acari amanheceu morto dentro de uma delegacia na Barra da Tijuca.

Ocorre que traficante não é ladrão, ele é traficante e em praticamente todas as grandes cidades do Brasil os traficantes têm acertos com policiais ligados à delegacia de drogas e não têm acertos com policiais da delegacia de furtos e roubos.

Aqui mesmo, na grande Curitiba, tem o caso da Vila Zumbi do Palmares,- onde os traficantes expulsam os ladrões -para que policiais da furtos e roubos não entrem na favela, atrás de ladrões, e encontrem seu QG e seus vendedores de droga.

Então podemos imaginar que, após prenderem o traficante Jorge Luiz Santos, colocaram ele em um pau de arara para ele abrir o bico e contar o nome dos dois que furtaram os bens do capitão, e ele optou por ficar calado.

Não sendo delator, Jorge apanhou, não deu os nomes “e desiludido” entrou em uma “depre com velocidade da luz” e se matou, antes da luz do dia surgir.
E quem se enforca com o rosto virado para parede? (veja a foto)
Só posso pensar na possibilidade de ele ter levado muita porrada no rosto e isso não podia aparecer.

E porque o Jorge Luiz Santos estava preso e não os dois ladrões:

Uma semana antes, o traficante Jorge Luís dos Santos, chefe de Acari, tinha assitido na televisão que um militar havia sido roubado. Percebeu que a motocicleta e a pistola descritas na TV eram as mesmas que haviam sido oferecidas a ele por um devedor.

Assim, o traficante Jorge ficou temeroso de que se descobrissem que a moto estava lá em Acari, que – o exército e toda a polícia do Rio, comandada por um General aposentado ex-DOI-Codi, amigo de Bolsonaro – fosse buscar, resolveu comprar a moto para ele próprio devolver ao dono.

De posse da moto e da arma, Jorge fez contato com o Cunha, um cara que fazia política na favela, e pediu que ele iniciasse conversações para devolver os bens do então deputado federal.

Cunha então telefonou para o gabinete da vereadora Rogéria Nantes, – mãe de Flavio, Eduardo e Carlos, à época ainda esposa do Bolsonaro, que estava em Brasília, para serem iniciadas as conversações da devolução dos bens.

Ficou combinado que o traficante mandaria trazer a motocicleta e a arma, com o pente carregado. Cunha ficou incumbido de fazer contato com um cabo da polícia chamado Roni Lessa, que já era o segurança do deputado Bolsonaro, embora funcionário do estado, coisa comum no Rio de Janeiro.

Segundo o ativista Cunha, o cabo Ronnie Lessa teria levado os bens, conforme o relato dado, ao coronel Alves:

“A informação dada por ele é que o cabo Lessa teria levado a moto, entregue a moto na casa de Bolsonaro na rua Torres Homem. O que contrasta com a informação que li no jornal de que o capitão Bolsonaro teria recuperado a moto, teria pego a moto no pátio do nono batalhão” (CLICK PARA LER MATÉRIA UOL.COM https://noticias.uol.com.br/colunas/juliana-dal-piva/2022/09/27/a-historia-completa-da-arma-roubada-de-bolsonaro-em-1995.htm– )

Depois desta entrega dos bens, Jorge foi preso e dentro da cadeia “é suicidado”.
Alguns anos mais tarde, entre 2009 e 2012, Bolsonaro compra três casas, digo duas casas, no Condomínio Vivendas da Barra, uma delas para o filho Carlos, e acaba virando vizinho do Roni Lessa, o assassino de Marielle Franco e de Anderson. Casas compradas à vista e feita escrituras com valor abaixo do valor venal e que o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis, depois de receber denúncia, deu uma declaração dizendo “compras feitas com indícios de lavagem de dinheiro”.
Este caso, estava por muitos anos na página do Jair Messias Bolsonaro, na Wikipédia, que estranhamente no ano passado foi retirado do texto.

Voltando sobre a morte do traficante Jorge Luís dos Santos, ter se suicidado.
Quem veio com essa desculpa maluca, no dia seguinte, para dar à imprensa uma explicação, que o João havia se suicidado, com uma camiseta, foi um general amigo de Bolsonaro.

Disse o General Nilton Cerqueira, que o Jorge havia aprendido fazer o nó quando serviu na Marinha. A viúva e a sogra negaram que o Jorge havia sido marinheiro e também disseram que ele não tinha nenhuma razão para se suicidar.

Este general Cerqueira, estava aposentado do exército onde foi Ex chefe do DOI-Codi de Salvador. Ele também no final dos anos 60 foi encarregado pelo exército, de caçar até a morte o ex capitão Carlos Lamarca, o que acabou terminando com a morte do chamado “guerrilheiro que desertou o exército” pelos ditadores, em 1971 no interior da Bahia.

Lembro aqui que Bolsonaro “se gabava” de na sua mocidade ter acompanhado militares sendo guia nas trilhas que colhia “parMito” (era como os caipiras de São Paulo chamam o palmito) , em terras alheias, para tentarem localizar Lamarca, que estava na região de Registro e Glicério onde nasceu Bolsonaro.

Essas aventuras de guiar os milicos teriam levado Bolsonaro a escolher a carreira militar e ir para o Rio de Janeiro, tentar entrar em Agulhas Negras.

Bolsonaro sendo pouco letrado, pois nunca escreveu nomes próprios com letra maiúscula, por “um milagre chamado padrinhos” conseguiu passar na prova da AMAN que é tão difícil como passar no ITA principalmente pela profundidade e complexidades das suas questões.
O General, que foi o que caçou Lamarca em Glicério, – e que conheceu o Cavalão nas trilhas de parMito, – quem sabe tenha virado padrinho para Bolsonaro entrar na AMAN – e foi dar explicações mentirosas, sobre o nó de marinheiro que teria permitido o traficante Jorge Luiz Santos se suicidasse.

E por que o General daria esta versão do nó de marinheiro?

Porque era ele o Secretario de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, nomeado pelo governador Marcelo Alencar, e defendeu a polícia quando notícias veiculadas na imprensa davam conta que “teriam suicidado” o Jorge dentro da cela.

Bolsonaro e este general tem outros históricos juntos. O general Nilton Cerqueira foi eleito deputado pelo Partido Progressista (PP), que se uniria em ao Partido Progressista Reformador (PPR), do qual Bolsonaro foi um dos fundadores. A junção resultou na criação do Partido Progressista Brasileiro (PPB).

Outro: Em maio do ano 1990, na época vereador no Rio, Bolsonaro também defendeu a eleição do general Cerqueira para a presidência do Clube Militar, usando o argumento de que era preciso transformar o Clube em um difusor da voz política da caserna. Na ocasião, Cerqueira disputou a diretoria do clube com Diogo Figueiredo, irmão do general-presidente João Figueiredo e venceu.

Em 2014, general Nilton Cerqueira foi responsabilizado pelo Ministério Público Federal, por ter participado do planejamento do atentado à bomba no Riocentro, em 1981. Neste ano Bolsonaro tinha 26 anos, já era tenente e muito ligado a torturadores do DOI-Cod, e por eles tinha e ainda tem grande admiração.

O Cavalão, conhecido por Mito, parece ter amealhado muitos padrinhos, além do General Nilton Cerqueira, na longa lista estão:
Coronel Carlos Brilhante Ustra (chefe dos centros de torturas e assassinatos de pessoas), General Braga Neto que sabia quem mandou matar Marille e se calou. O General Mourão que trocou ser vice na chapa de Bolsonaro em 2022 para ser senador pelo Rio Grande, o Almirante Almir Garnier Santos que colocou a Marinha a disposição do golpe, o General Mauro Lourena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid, que ajudou a vender as joias nos EUA, e outros que ainda serão revelados.

Nestas histórias de Bolsonaros, como puderam ler, existem muitas coincidências, – mas todos aqueles com boa experiência de vida – sabem: que uma coincidência é acidente, duas coincidências é muita coincidência, e mais de três coincidências são vários problemas para serem explicados.

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

Compartilhe nas suas redes socias!

2 respostas

  1. Descrição perfeita da caminhada desse marginal!!!!! Outro artigo que deveria constar nos próximos livros de história para que ela não se repita. Um bandido que admira torturadores, é ainda pior que os mesmos… um covarde…

  2. Excelente artigo!
    Explica muito bem as “coincidências” dos “cristãos” q amam a tortura.
    Será a volta da idade média?
    Que nojo dessa gente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *