Deputados preocupados com as saidinhas dos presos: Ahh…essa é “muito boa”!

E as suas saidonas, senhores deputados, com a grana do povo?

Foto: Tung Lam/Pixabay
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Para lembrar ao povo que as “suas saidonas” dos senhores deputados e senadores, são piores que as dos presos que, tendo boa conduta, no final do ano, vão passar uma data festiva de Natal com clima de perdão junto a seus familiares.
Vocês, deputados e senadores, dentro de 3 meses, estarão gastando os R$5,4 bilhões de reais – que vocês aprovaram para as eleições deste ano – e só voltarão a frequentar Brasília depois do Carnaval de 2025. E o que é pior, farão prestação de contas apresentando notas que vocês próprios decidiram onde gastaram. É a grande farra com o dinheiro do povo.

Os senhores deputados são contra as saidinhas dos presos bonzinhos, mas a favor do saidão do Chiquinho Brazão, o deputado chefe de milícias no Rio, que mandou matar a Marielle! O estado, por conta deste jogo de poder – entre legislativo X executivo e legislativo X judiciário, poderá conhecer revoltas dentro de presídios cujas proporções serão difíceis de serem controladas.

Tem gente na cadeia que se prepara o ano inteiro, demonstrando que está em plena recuperação – sendo este o principal objetivo da prisão – para dar esta saidinha de 30 dias, depois de anos enjaulados e esse direito é retirado por um bando de safados! Dias das “Mães em 12 de maio” terá a saidinha temporária de 5 dias, se for negada, este ano, poderá ser a primeira vez que – aumentará em mais de 5%, que é a média dos presos que hoje não retornam para a cadeia, – com o regime das saidinhas funcionando.
Quem irá pagar a conta de inúmeras rebeliões que poderão acontecer nos presídios?

As saidinhas são uma solução para evitar explosões dentro dos sistemas carcerários, proibir a saidinha dos detentos é como deixar uma panela de pressão ligada até explodir.

E mais; os que estão mais recuperados irão se rebelar e voltar aos braços das grandes organizações criminosas, que comandam na vida dos detentos.
E mais; até as estatísticas de saída demonstram que o número dos que não voltam é tão pequeno que a política de recuperação dos presos, com as saidinhas, deve continuar.

No último ano foram 52.000 os que tiveram este benefício e 49.000 deles voltaram, ou seja, apenas 5% não voltaram, somando todos os presídios do Brasil.
E por que 95% voltaram? Eles voltaram porque estão prestes a cumprir a sua pena.
Portanto, seria uma burrice, para o preso, não voltar, porque se encontrados e presos ficarão muitos outros anos encarcerados.

Essas saidinhas são um consenso em todos os países, nos EUA saem até os que estão em regime fechado, enquanto no Brasil saem nestas saidinhas só os que estão em regime semiaberto.
Em muitos países permitem as saidinhas, porque sabem que com esses benefícios os presos não reincidem nos crimes.

A questão aqui no Brasil não tem nada a ver com saída ou não saída de presos é sim com disputa de poder. O poder Legislativo quer demonstrar que não está mais nas mãos do STF e não é só este caso que nos mostra isto.

No Congresso também já discutem, neste momento, acabar com o Fórum Privilegiado, para os deputados e senadores, pois votando isso agora com urgência será para safar o Bolsonaro da cadeia.
E se aprovarem podem safar, sabem por que?
Porque todo o processo do Bolsonaro terá de voltar para a primeira instância e para chegar o novo momento de sentença e posterior prisão – irá demorar mais de 10 anos, – e depois ainda restará um recurso no STF, assim Bolsonaro terá mais outros anos livre das grades.
E ainda poderá discutir a prescrição.

Até o Rio de Janeiro, local de origem e base política dos Bolsonaro e Chiquinho Brazão, nos mostra com quem nos metemos – quando o Bolsonaro governou o Brasil, pois lá (RJ) 17,5% dos detentos não retornaram de suas saidinhas em 2024, quando a média em todo o resto do Brasil foi de 5 %.

Se faz urgente criar comissões, dentro do poder executivo para elaborar um grande projeto para a área de segurança. Também de sugestões para alterar o Código Penal e reforma no Sistema Penitenciário, mesmo porque a situação dos presídios é precária e a reincidência só tem aumentado.

Por Guilhobel A. CamargoGazeta de Novo

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Uma resposta

  1. Suas ponderações nesse artigo são perfeitas, como sempre, com seu conhecimento de mundo. Eu concordo com todas, pois como você sabe, trabalhei em uma instituição de adolescentes cumprindo medida de internação e, mesmo eles não tendo maturidade, fazem o maior esforço para terem comportamento que permita visitas domiciliares, também como você citou essa possibilidade diminui muito a violência dentro das instituições. As secretarias da justiça dos Estados sabem disso e assim os políticos também têm acesso às pesquisas que comprovam esse fato. Como você tão bem colocou é uma briga de poder que vai prejudicar quem trabalha nos presídios…

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