A dura realidade natalina: Quando celebrar o Natal significa enfrentar a fome

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Não é apenas pela ausência de entes queridos, uma dor sentida profundamente por muitos idosos com mais de 75 anos, que as festividades de fim de ano se tornam tristes. Nós, que pertencemos às gerações nascidas logo após a Segunda Guerra Mundial, chegamos a este mundo como frutos de desejos adiados pela guerra, sonhos que foram interrompidos para nossos pais.

Ao longo das décadas e de inúmeras celebrações natalinas, testemunhamos a pressão das mídias que nos empurram para as lojas, como se o ato de consumir fosse uma necessidade vital.

Essa realidade dói ainda mais ao saber que muitos pais não podem presentear seus filhos, e em muitos lares, a comida escasseia. O olhar de tristeza nos olhos de uma criança que deseja um brinquedo, mas sabe que é um desejo inalcançável, é profundamente comovente.

Como podemos contribuir para esse ambiente de desigualdade, quando já existem divisões e preconceitos que alimentam o ódio em detrimento do amor?

A ironia se intensifica ao considerar que essa festa, o Natal, supostamente baseada nos ensinamentos cristãos, muitas vezes se distancia de sua essência. Mesmo a Bíblia permanece em silêncio quanto à data exata do nascimento de Jesus Cristo, contendo apenas uma profecia em Mateus 1:23 que proclama: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel”, traduzido como “Deus conosco”. O Evangelho de Mateus, datado de aproximadamente 50 DC, coincide com o início da formação da igreja cristã.

A celebração em 25 de dezembro remonta a festividades pagãs em homenagem ao deus Sol, Hórus, no Egito, cerca de 2.200 anos antes de Cristo, associadas à proximidade do solstício de inverno no hemisfério norte, em 22 de dezembro. Essa tradição romana persistiu até o Concílio de Niceia em 325 d.C., liderado pelo Imperador Constantino.

O dia 25 de dezembro foi estrategicamente escolhido para desmantelar festividades pagãs e atrair adeptos ao cristianismo.

No entanto, ao longo da história, vemos divisões religiosas, desde a cisma da Igreja Católica no século XI até o movimento protestante liderado por Martinho Lutero no século XVI e o advento do Espiritismo de Allan Kardec em 1857. Hoje, enfrentamos uma crescente diversidade religiosa, incluindo a Igreja Evangélica do pastor “Pedir Mais Cedo”.

Assim, é difícil encontrar alegria nesta data quando, logo pela manhã, somos confrontados com crianças e pais batendo em nossas portas em busca de um pedaço de pão, ou revirando o lixo na esperança de encontrar algo que possa ser trocado por comida.

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

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2 respostas

  1. Essa desigualdade social, fruto desse capitalismo selvagem que vivemos, serve muito a essa elite perversa que, nestes tempos de crianças tristonhas e famílias vivendo na mais absoluta miséria, por esse mundo afora, sai distribuindo esmolas em nome da fraternidade, aparecendo nas redes sociais como caridoso!!!! Triste demais!!!!

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