Trump, o John Wayne do século XXI?

John Wayne dizia que McCarthy foi, entre seus heróis, o mais incompreendido (!)

Trump é um artista astuto que explora fantasias duradouras que os americanos absorvem há décadas.
Durante a década de 1950, John Wayne foi um dos mais fervorosos apoiadores do senador Joseph McCarthy e um líder proeminente do movimento anticomunista em Hollywood. Seu envolvimento foi além de simples declarações públicas, manifestando-se em liderança organizacional e produções cinematográficas.
Wayne foi cofundador da MPA – Motion Picture Alliance e serviu como presidente (de 1949 a 1952) da MPA – For the Preservation of American Ideals, uma organização de direita dedicada a expulsar supostos comunistas da indústria do cinema.

Em defesa do macarthismo, ele descrevia McCarthy como um de seus “heróis mais incompreendidos” e acreditava que o senador foi essencial para o “despertar da América” contra a ameaça soviética.

Wayne foi um defensor ativo da Lista Negra de Hollywood, que impedia o emprego de atores, diretores e roteiristas suspeitos de simpatias comunistas. Ele chegou a declarar que as pessoas na lista negra deveriam ter sido “enviadas para a Rússia”.
E que os atores deveriam denunciar os colegas comunistas para preservarem seus empregos. Não deveriam ficar constrangidos em “dedar amigos”, porque McCarthy já sabia quem eram; só precisava de delatores para limpar os EUA do comunismo.

Sobre os indígenas, povos nativos:
O ator John Wayne proferiu declarações polêmicas com teor racista sobre os nativos americanos em uma famosa entrevista à revista Playboy, em 1971, na qual os acusou de serem egoístas por tentarem manter suas terras.

Sobre os negros:
John Wayne expressou opiniões controversas e críticas sobre a população negra e o movimento pelos direitos civis na mesma entrevista à revista Playboy, em maio de 1971. Nessa entrevista, questionou a prontidão da comunidade negra para assumir papéis de liderança na sociedade e criticou o que considerava um avanço apressado de direitos garantidos pelo Estado.

As principais críticas de Wayne incluíram: supremacia branca e “responsabilidade”.
Wayne afirmou acreditar na supremacia branca “até que os negros sejam educados a um ponto de responsabilidade”.
Ele argumentou que não se deveria dar autoridade ou posições de julgamento a pessoas que considerava “irresponsáveis”.

John Wayne era um republicano fervoroso e permaneceu fiel ao Partido Republicano até sua morte, em 1979.
Ele foi um dos apoiadores mais proeminentes de causas conservadoras nos Estados Unidos, tendo apoiado publicamente candidatos como Richard Nixon e Ronald Reagan.
John Wayne admirava profundamente Abraham Lincoln e frequentemente o citava como um símbolo máximo do patriotismo e dos valores americanos (!).

Vejam o que os historiadores e críticos apontam como falhas significativas na trajetória política e pessoal de Abraham Lincoln:

Visões de supremacia branca e colonização, semelhantes às de John Wayne:
Em seus famosos debates com Stephen Douglas, em 1858, Lincoln declarou explicitamente que não era a favor da igualdade social e política entre negros e brancos, defendendo que a “posição superior” deveria pertencer à raça branca.
Por grande parte de sua carreira, ele defendeu a colonização — a ideia de enviar negros libertos para a África ou América Central —, por acreditar que as raças não poderiam conviver em harmonia.

Execução em massa de indígenas:
Em 1862, após a Guerra Dakota em Minnesota, Lincoln autorizou o enforcamento de 38 homens Dakota. Embora tenha comutado a pena de mais de 260 outros, o evento continua sendo a maior execução em massa sancionada pelo governo na história dos EUA e é criticado pela falta de devido processo legal nos julgamentos militares.

Supressão de liberdades civis:
Durante a Guerra Civil, Lincoln suspendeu o princípio do habeas corpus sem autorização prévia do Congresso, resultando na prisão de milhares de cidadãos sem julgamento. Essa medida foi considerada inconstitucional pelo então Chefe de Justiça, Roger Taney, pois o poder de suspensão pertence ao Legislativo, não ao Executivo.

Donald Trump é um admirador declarado de John Wayne, frequentemente descrevendo-o como um símbolo de força e valores americanos. O próprio Trump se autodefine como um “fã de longa data” do ator.
Os principais pontos dessa admiração incluem:

Símbolo de força:
Trump afirmou publicamente que John Wayne representava “força e poder”, qualidades que ele considera essenciais para a liderança do país.

Impacto pessoal:
Ele relatou ter conhecido o ator pessoalmente uma vez, encontro que deixou uma “grande impressão” por Wayne ser uma figura “maior que a vida”.

Apoio da família:
Em 2016, durante sua campanha presidencial, Trump visitou o museu na casa onde Wayne nasceu, em Iowa, e recebeu o apoio formal da filha do ator, Aissa Wayne.

Defesa do legado:
Em 2020, o então presidente defendeu vigorosamente a manutenção do nome de John Wayne no Aeroporto de Orange County, na Califórnia, após pedidos para renomeá-lo devido a comentários polêmicos feitos pelo ator no passado.

Trump frequentemente traça paralelos entre a persona de “homem durão” dos filmes de Wayne e a imagem de liderança forte que busca projetar em sua carreira política.
Trump é, mais um “herói americano” muito perigoso.

Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo

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