Há muito mais do que um recuo de uma potência sobre uma sanção injusta.

As ações de uma grande potência mundial nunca são totalmente claras para o nosso entendimento quando aplicadas; muitas vezes, a leitura revela-se apenas uma estratégia para obter um ganho geopolítico maior, que se evidencia com o decorrer dos acontecimentos. Os Estados Unidos percebem um crescimento de outros países que minam o dólar e seu domínio sobre territórios alheios, o que impacta diretamente a vida do povo norte-americano.
Para assegurar seus interesses estratégicos e alcançar seus objetivos, os arranjos são frequentemente realizados de forma silenciosa, e seus atos jamais são inocentes. Os peões representam a alma do jogo de xadrez; o rei adversário nunca é atacado nos primeiros movimentos. Essas jogadas iniciais servem, muitas vezes, para derrubar os peões que controlam o centro do tabuleiro.
No caso de Moraes, que é apenas uma peça dentro desse tabuleiro, sua utilização ocorreu por estar em uma posição estratégica que poderia ser explorada. Ela atuou por um período—de julho a dezembro—para fortalecer a oposição ao poder executivo do Brasil.
Os EUA têm plena consciência da influência do Brasil na América Latina, em países do continente africano e, sobretudo, dentro do BRICS, que vem crescendo continuamente, reunindo nações de maior população e das economias de maior crescimento no mundo.
Ao retirar as tarifas sobre as exportações de produtos brasileiros e as penalidades impostas pela Lei Magnitsky—que eram injustas contra Alexandre de Moraes—os Estados Unidos conquistaram outros benefícios em negociações com o Brasil, cujos detalhes só conheceremos com o tempo.
O custo para o Brasil já foi parcialmente assumido, com concessões relevantes e discretas, que permitiram novos alinhamentos.
Nada é de graça entre as potências mundiais. O Brasil obteve um ganho—ao retirar as perdas—mas ainda estamos por descobrir o que foi colocado na mesa em favor dos Estados Unidos.
O jogo continua: as tarifas foram eliminadas, nosso Alexandre—o grande defensor da nossa democracia—está de cabeça erguida e salvo. Contudo, outros movimentos virão.
Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo



Uma resposta
Perfeito!!!! Vamos esperar…