Hoje tem Super Bowl (EUA): Paraná é pioneiro no Brasil neste esporte violento.

Foto: WikiImages/Pixabay

Por incrível que pareça, este ano o artista e cantor que irá abrir o jogo final é Benito Antonio, um artista que enfrenta o machismo ianque e seu domínio no mundo. Ao ganhar o Álbum do Ano no Grammy Awards 2026, ele criticou o que os EUA estão fazendo no mundo com a batuta de Trump.

Com raízes históricas e um “Cristianismo Musculoso”, a origem do futebol americano está ligada a um ideal do final do século XIX, que defendia esportes violentos como forma de criar uma nação “vigorosa e viril”.

O presidente Theodore Roosevelt, por exemplo, via a violência no esporte não como um defeito, mas como um atrativo. A violência no futebol americano tem raízes profundas, originando-se de uma mistura de tradição esportiva, cultura americana de virilidade e as próprias regras físicas do jogo. A história demonstra que o esporte foi desenhado para ser um confronto de força.

Com raízes no rugby e no “Christianity Muscular”, o futebol americano evoluiu com a ideia de criar um jogo que promovesse o “cristianismo musculoso” (muscular Christianity)—uma crença na força física e no caráter viril, moldando jovens em homens vigorosos.

O “direito de passagem” e o confronto físico, o tackle — ação de derrubar o adversário — são a base do esporte. A violência é vista, em muitos aspectos, como um elemento importante que caracteriza o jogo, não apenas uma consequência indesejada. Assim é o comportamento bélico dos ianques, desde o tempo em que roubaram terras dos índios e dos mexicanos, criando heróis como o general George Armstrong Custer, do 7º de Cavalaria, que matou milhares de Sioux e Cheyennes. Também o coronel John Chivington, que liderou a milícia do Colorado no brutal massacre de Sand Creek, em 1864, onde suas forças atacaram uma aldeia pacífica de Cheyennes e Arapahos.

Todos eles, eternizados em filmes pela Metro-Goldwyn-Mayer, com atores como John Wayne, William F. Gody, Lewis Wetzel e Wild Bill Hickok — até chegarmos em Trump.

Trump virou o moderno herói americano com seu programa de TV, o reality show “O Aprendiz” (The Apprentice), que ele apresentou e coproduziu entre 2004 e 2015. Nesse programa, Trump projetou a imagem de um magnata implacável e bem-sucedido, popularizando o bordão “Você está demitido!” (You’re fired!), enquanto avaliava os participantes que competiam por um cargo em suas empresas.

Você, que é da geração Baby Boomers — a minha geração, nascida entre 1946 e 1964 — deve lembrar que os filmes de maior sucesso aqui no Paraná e Santa Catarina, estados onde o bolsonarismo ainda tem mais simpatizantes, exaltam a idolatria do jovem estudante dos EUA, que era o mais forte em brigas e atleta número um da escola.

O estado do Paraná é considerado pioneiro e uma das maiores potências do futebol americano no Brasil (FABR), devido a um conjunto de fatores históricos, estruturais e de organização esportiva, destacando-se o desenvolvimento precoce da modalidade full pads (com equipamentos completos) no estado.

Os principais motivos para o pioneirismo paranaense foram:

  • Pioneirismo no full pads: Curitiba é a casa do Brown Spiders, um dos times mais antigos do país a praticar a modalidade com equipamentos completos (full pads). O estado consolidou o esporte com equipamentos de proteção muito antes de outras regiões.
  • Organização da Federação Paranaense de Futebol Americano (FPFA), fundada em 1º de março de 2009, reconhecida pela organização de campeonatos estruturados, incluindo categorias de base e times femininos.
  • Pioneirismo legal e estrutural: o Paraná foi pioneiro ao criar um Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) específico para o futebol americano, garantindo segurança jurídica aos campeonatos.

O estado também abriga algumas das equipes mais tradicionais e vitoriosas do país, como o Coritiba Crocodiles (heptacampeão brasileiro) e o Paraná HP.

O futebol americano no Paraná não se restringe à capital Curitiba, contando com equipes fortes espalhadas pelo estado, como o Londrina Bristlebacks, Ponta Grossa Phantoms e Cascavel Olympians, garantindo um campeonato estadual forte e competitivo.

O bolsonarismo explorou esse lado paranaense, com fortes raízes estrangeiras, como a dos alemães simpatizantes do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que chegaram a angariar cerca de 20.000 sócios, atraídos pelas propagandas do Terceiro Reich.

Também há forte presença de imigrantes italianos e seus descendentes, adeptos do fascismo de Benito Mussolini, no Paraná, durante o século XX, especialmente entre as décadas de 1920 e 1940, o que faz parte de um fenômeno mais amplo de penetração fascista nas comunidades italianas no Brasil (os fasci all’estero).

Somaram-se a esses os descendentes de poloneses e ucranianos, admiradores da cultura ianque, que, abduzidos no século XXI pelo bolsonarismo/trumpismo, não tiveram dificuldades para fazer surgir o violento futebol americano.

Por Guilhobel A. Camargo — Gazeta de Novo

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