Não havia ameaça comunista, foi uma ação montada para a preservação da hegemonia econômica e política dos EUA.

Foto: Reprodução
A história do golpe de 1964 no Brasil revela-se cada vez mais complexa e distante da narrativa oficial que, por décadas, tentou justificar a derrubada de João Goulart como uma ação necessária para impedir uma suposta ameaça comunista.
Diversas evidências, incluindo declarações do próprio ex-embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, e documentos desclassificados da CIA e do Departamento de Estado, demonstram que a realidade foi bastante diferente do que foi apresentado ao público na época.
Gordon admitiu, em entrevista anos depois, que nunca acreditou que Goulart fosse comunista e que o governo americano tinha conhecimento de que ele era um grande latifundiário, proprietário de várias fazendas, o que desmistifica a ideia de uma ameaça vermelha no Brasil. Além disso, a inspiração de Goulart em figuras como Getúlio Vargas, seu perfil populista e nacionalista e suas políticas econômicas, como a Lei de Remessa de Lucros, preocupavam os interesses dos EUA, pois poderiam abrir espaço para a esquerda radical ou prejudicar a hegemonia econômica americana na região.
Os documentos desclassificados confirmam que, apesar de saberem que Goulart não representava uma ameaça comunista real, os Estados Unidos utilizaram a retórica anticomunista como uma estratégia para justificar intervenções e apoiar a derrubada do presidente. Financiamentos de oposição, apoio a candidatos e distorções na narrativa pública foram instrumentos utilizados para criar um clima favorável ao golpe, sempre com o objetivo de preservar sua influência na América Latina.
Assim, a verdadeira motivação por trás do golpe foi a preservação da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos, mais do que o combate a uma ameaça comunista que, na prática, nunca se concretizou.
Essa compreensão reforça a necessidade de revisitar e questionar a versão oficial dos fatos, buscando uma visão mais próxima da verdade histórica.
O 31 de março de 1964, com os principais fato destacados:
Em 31 de março de 1964, o Brasil viveu o início de uma rebelião militar que resultou na deposição do presidente João Goulart (Jango) e na instauração de uma ditadura militar que duraria 21 anos.
O que aconteceu no dia 31 de março de 1964
O evento decisivo daquele dia foi a movimentação de tropas liderada pelo general Olympio Mourão Filho, que partiu de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o governo.
- Contexto Político: O governo de Goulart enfrentava forte oposição devido às suas Reformas de Base (reforma agrária, educacional e tributária), que eram vistas por setores conservadores, pela Igreja Católica e pelo empresariado como uma ameaça comunista.
- Polarização: Dias antes, o presidente havia reafirmado seu compromisso com as reformas no Comício da Central do Brasil, o que intensificou a reação da oposição, manifestada em eventos como aMarcha da Família com Deus pela Liberdade.
- Desfecho: Embora o levante tenha começado no dia 31, a vacância da presidência foi declarada pelo Congresso Nacional apenas na madrugada de 2 de abril, levando Jango ao exílio no Uruguai logo depois.
A participação do Governo dos EUA
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Lyndon B. Johnson, teve uma participação ativa no apoio ao golpe por meio da Operação Brother Sam.
A atuação americana incluiu:
- Apoio Logístico e Bélico: O envio de uma esquadra naval para a costa brasileira, incluindo o porta-aviões USS Forrestal, destróieres e petroleiros carregados de combustível para apoiar os militares golpistas caso houvesse resistência armada.
- Suprimentos: Fornecimento de armas, munições e equipamentos de comunicação.
- Motivação Geopolítica: No auge da Guerra Fria, os EUA temiam que o Brasil se tornasse uma “nova Cuba” na América Latina sob a influência das políticas de Goulart.
- Reconhecimento Imediato: Os EUA foram um dos primeiros países a reconhecer o novo governo militar, demonstrando seu aval político à derrubada de Jango.
USS Forrestal, o super porta-aviões dos EUA usado no golpe de 1964, contra a soberania do Brasil. Foi o maior de sua classe, uma embarcação que rompeu com lógica de antecessores ao apresentar inovações que perduram até hoje. Palco de um dos maiores desastres da Marinha americana, foi vendido a um centavo de dólar em 1993.
HOJE 31 DE MARÇO DE 2026 , NAS PROXIMIDADES DO ESTREITO DE ORMUZ
Atualmente, em 31 de março de 2026, o porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN-72) é o principal ativo naval dos EUA operando nas proximidades do Estreito de Ormuz, posicionado no Mar Arábico. Sua presença faz parte da Operação Epic Fury, uma campanha militar em resposta às tensões escaladas com o Irã, por Donald Trump.
Qualquer semelhança, com uso de porta aviões, “NÃO” é mera coincidência!
Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo


