“Quando o chefe da casa faz uso abusivo do seu poder, com ganância, cheio de orgulho e soberba, a sua ignorância em não se conter destrói o seu próprio lar; e esses mesmos defeitos na caneta de um presidente destroem o seu país.” (Guilhobel).

Este meu texto tem como uma das bases o que escreveu o historiador Paul Kennedy em seu livro “Ascensão e Queda das Grandes Potências”, onde ele analisa todas as ascensões e quedas das nações do mundo, principalmente nos últimos 500 anos.
Para iniciar, com maior compreensão, é importante destacar que os cenários otimistas sobre a China mencionados no livro de Paul Kennedy foram superados, e todas as previsões pessimistas sobre o declínio dos EUA também foram além do que se esperava, no sentido de sua queda.
Já era previsível que, após sua ascensão a partir do término da Segunda Guerra Mundial, os EUA cometeriam erros que os levariam a um grande declínio, perdendo a sua hegemonia.
Alguns dos principais elementos que levaram a China a uma alta capacidade de produção econômica foram: a impressionante urbanização do país, que utiliza 1/3 de todo o concreto do mundo; a escalada global em diversos empreendimentos, inclusive em países das Américas, e a competitividade interna; o expressivo aumento do PIB, com significativa expansão da sua indústria e serviços; e a educação, onde, só no último ano (2023), foram formados 8 milhões de engenheiros, além do desenvolvimento da internet e da IA (Inteligência Artificial).
Para os EUA, o declínio de sua hegemonia mundial começa a partir dos gastos deficitários contínuos, especialmente no aumento militar, que é a razão mais importante para a sua queda. Assim tem sido, nos últimos cinco séculos, o declínio de várias outras grandes potências.
Kennedy observou que, a partir do avanço da Europa Ocidental no século XVI, nações como Espanha, Holanda, França, Império Britânico e, atualmente, Estados Unidos, mostraram que, a longo prazo, há uma tendência de redução da capacidade da potência hegemônica de produzir e gerar receitas, de um lado, e o aumento excessivo dos gastos com a força militar, do outro, que contribuem para seu declínio.
O mundo tem se tornado mais hostil para os EUA porque outras potências cresceram mais depressa e estão se tornando mais fortes, como a China e a Índia. A grande potência que detém a hegemonia (os Estados Unidos) acaba reagindo instintivamente, gastando muito mais com sua “segurança” e a de seus aliados, e, com isso, deixa de usar recursos potenciais em “investimento produtivo”.
Não bastassem essas questões militares, também a própria escolha do dólar como referência nas relações comerciais entre países — que foi a grande fonte de crescimento americano após a queda da URSS — agora enfrenta um novo desafio com o BRICS, que surge com a criação de sua moeda ou apenas com a realização de negócios entre seus países utilizando suas próprias moedas. Isso é mais um grande fator para a queda do domínio dos EUA no mundo.
O poder dos EUA em emitir dólares à vontade para dominar o mundo — que tem sido sua maior arma — agora enfrenta outras potências que, minando suas bases, estão diminuindo o uso do dólar. Casos de relações comerciais entre vários países (como Rússia e Irã) serão potencializados agora com os BRICS, que estão tomando medidas para se libertar do dólar.
Com o crescimento acelerado da China, da Índia e de outros países da Ásia, os Estados Unidos sofrem um declínio econômico relativo, produzindo uma parcela menor do PIB mundial. Vários países emergentes estão obtendo uma participação cada vez maior no PIB global. Previsões do Goldman Sachs indicam que, em 2050, a China terá superado os Estados Unidos, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos Estados Unidos; atualmente, esses valores são de US$ 27 trilhões para os EUA e US$ 20 trilhões para a China.
Apenas no plano econômico, os Estados Unidos têm uma taxa de crescimento anual do PIB da ordem de 2%, enquanto seu principal concorrente, a China, apresenta uma taxa de crescimento de 5%. O governo norte-americano, até o final do governo Biden, estava em busca desesperada de construir alianças militares e econômicas para evitar que a China ultrapassasse os Estados Unidos em 2028 — previsão do CEBR (Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial do Reino Unido). Agora, com Trump, que tem feito “tiroteios” até em grandes aliados do bloco europeu, a situação da Casa Branca parece cada vez mais precária.
O imperialismo norte-americano será obrigado, mesmo com Trump no poder, a fechar a maioria de suas 800 bases militares em pelo menos 80 países no exterior. Isso trará consequências graves, uma vez que, para não recuar com seu poder bélico, Trump poderá dar início a uma terceira Grande Guerra Mundial.
Com o que vem sinalizando, Trump poderá desencadear a 3ª Guerra Mundial, que se constituiria no Armagedom, isto é, a guerra final, com a possibilidade de que os contendores aliados e oponentes dos Estados Unidos utilizem suas armas nucleares.
Os EUA não terão mais tempo para conter o crescimento da China. Veja no vídeo anexo a velocidade com que os chineses constroem prédios e cidades e dominam tecnologias que nenhum outro país possui algo que se aproxime.
A China criou um novo modelo de socialismo, onde o Estado domina desde a gestão de Xi Jinping. Nas reformas econômicas de 1978, decidiram não mais investir fortemente em armamentos, deixando este item em quarto lugar nas suas prioridades.
De forma inteligente, a China criou um Socialismo de Mercado (o que define a diferença entre capitalismo e socialismo é a propriedade dos meios de produção). Os meios de produção da China são controlados na sua maioria pelo Estado, sendo um novo socialismo do século XXI que, além de deixar espaço para empresas privadas, criou grandes conglomerados empresariais estatais em pontos estratégicos, dominando assim a economia.
A China possui soberania monetária estatal, um modelo novo, inclusive tratado em um livro lançado recentemente, “China: Socialismo do Século XXI”, do professor Elias Jabur e Alberto Gabriele.
O livro traz os principais aspectos que levaram a China, nas últimas décadas, a ser a maior locomotiva do sistema econômico mundial.
Por Guilhobel A. Camargo – Gazeta de Novo
Uma resposta
Texto informativo perfeito!! Vou buscar a leitura do livro indicado!!!