Uma vez que é de descendência italiana, lembro o caso do imperador Gaius Julius Caesar Octavianus Augustus.

A sucessão de Augusto (Otávio) em Roma é o exemplo supremo de escolher sucessores para proteger o legado. Augusto sabia que, após sua morte, o Império poderia colapsar se o sucessor não fosse forte, mas ele também precisava de alguém que não o ofuscasse em vida.
Por estratégia, ele testou vários sucessores (Marcelo, Agripa, os netos Caio e Lúcio); todos morreram ou foram descartados, assim como Guto Silva, Greca, Alexandre Curi e, muito em breve, Sandro Alex, cujas pesquisas, em próximas semanas, demonstrarão que será um desastre nas urnas.
No final, o escolhido foi Tibério, que Augusto não gostava particularmente, mas o escolheu porque era um militar competente que manteria a ordem. Este foi o “pulo do gato”, que os historiadores sugerem que Augusto escolheu o severo e impopular Tibério para que o povo, ao sofrer com o novo imperador, sentisse saudades de Augusto, garantindo que sua memória fosse divinizada.
Sobre um governante que escolhe vários líderes e os descarta, Maquiavel (também oriundo de Florença na Itália), em “O Príncipe”, disse: que a escolha de seus ministros e auxiliares é o primeiro teste de inteligência de um governante. Se os líderes escolhidos são capazes e fiéis, o governante é considerado sábio. Se eles são incompetentes na administração ou desonestos, o governante já começa falhando, pois seu primeiro erro foi justamente essa escolha.
O que estamos vendo aqui, na sucessão do governo no estado do Paraná, é que, ao errar sucessivamente na escolha de um sucessor, esses preteridos procuraram outros caminhos, pois o líder Ratinho criou um cenário perigoso: o surgimento de “sucessores renegados” ou “herdeiros traídos”. Aquele que foi descartado — conhece as entranhas do governo — deixa de ser um aliado para se tornar o inimigo mais formidável, pois possui legitimidade, conhecimento interno e ressentimento.
Esses líderes descartados irão trilhar um caminho de uma “Terceira Via” ou Oposição Dissidente, pois se consideram os “verdadeiros herdeiros dos valores originais”. Esses podem seguir facilmente um “Caminho da Aliança” com os inimigos (o “outsider” interno).
O descartado conhece as fraquezas do governante; ele pode se aliar a grupos de oposição que antes combatia, oferecendo “os segredos do Palácio Iguaçu” em troca de apoio para alcançar algum novo cargo político.
“Nunca ofenda um homem se não puder eliminá-lo”, essa é uma máxima conhecida há séculos por governantes. Se você descarta um líder e o deixa vivo para seguir em frente com influência, deu a ele o combustível do ódio e as armas da informação.
Por Guilhobel Aurélio Camargo – Gazeta de Novo


